No último dia 11 de outubro, a WSPA, em conjunto com a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM, na sigla em inglês) organizou em Nova Iorque uma série de apresentações sobre oimportante vínculo entre a pecuária e a economia verde para representantes de 13 países. O evento, no qual foram apresentados métodos de criação que, além de sustentáveis, beneficiam ao meio ambiente, às pessoas e aos animais, é parte dos preparativos que antecedem a Rio +20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.
A WSPA e a IFOAM enviaram informes às missões de vários países integrantes das Nações Unidas, entre eles o Canadá, a Austrália, a Argentina, o Reino Unido, o Quênia e a China, como forma de estímulo às discussões acerca da importância da pecuária e da produção de alimentos para o desenvolvimento de economias mais verdes e justas.
Estudos da WSPA revelam porque o tratamento humanitário dos animais está no centro dos assuntos mais importantes a serem tratados na Rio+20, incluindo a segurança alimentar, a proteção ao meio ambiente e o combate à pobreza.
A embaixadora também destacou o impacto da mudança climática sobre o manejo dos animais no país, uma vez que 60% deles, que representam o sustento de muitas famílias, encontram-se em regiões áridas e semi-áridas. “O Quênia apoia plenamente o desenvolvimento de uma economia verde, como a agricultura e a produção animal sustentáveis”, acrescentou.A Representante da Missão Permanente do Quênia na ONU, embaixadora Josephine Ojiambo, vê uma relevância direta entre as preocupações acerca da sustentabilidade de seu país e os argumentos da WSPA. "As questões relativas a crise alimentar, água, animais de produção (em particular a sua saúde e bem-estar) e o impacto ambiental do manejo animal são questões importantes para o Quênia", disse Josephine.
"É realmente esclarecedor ouvir tantos aspectos sendo discutidos ao mesmo tempo, mostrando assim como o desenvolvimento sustentável está interligado", disse Juanita Castano, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). "É fácil perceber como se alcança o bem-estar animal se levarmos em conta questões sociais, ambientais e econômicas”.
“A mensagem realmente faz muito sentido. É absolutamente razoável considerar os animais de produção, e devemos levar isso em consideração na Rio+20, “ disse Aeron Holtz, representante da missão do Reino Unido na ONU.
“Cuide da terra e do rebanho”
Um dos palestrantes do evento foi Will Harris, fazendeiro e proprietário da White Oaks Pastures, a maior fazenda de produção orgânica certificada do Estado da Georgia, nos EUA. O estudo sobre a White Oaks deixa claro o impacto da agricultura humanitária e sustentável como um modelo de negócio benéfico não só para o produtor e o consumidor, como também para os animais e o meio ambiente.
Will Harris acredita que os benefícios das boas práticas de bem-estar animal são surpreendentes: “O que fazemos tem um resultado bastante positivo do ponto de vista do bem-estar animal, da gestão ambiental e seus impactos sobre a economia. Minha família sempre cultivou um valor essencial: ‘cuide da sua terra e do seu rebanho, e eles cuidarão de você! ”
Animais de produção na agenda da Rio+20
Como parte dos preparativos para Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a WSPA estabelece cinco recomendações fundamentais para a agenda da Rio+20:
O desenvolvimento de políticas para o fornecimento sustentável de alimentos;
Apoio a produtores de economias em transição;
Um número maior de pesquisas visando ao fortalecimento da agricultura sustentável e humanitária;
A diminuição gradual, até a completa eliminação, dos subsídios e dos investimentos voltados a modelos insustentáveis e desumanos.
A Gerente de Campanhas da WSPA Brasil Ingrid Eder, à frente dos preparativos para a Rio+20 no país, acredita no trabalho em conjunto com o governo para que a promoção do desenvolvimento sustentável inclua também o bem-estar dos animais de produção.
“Estamos mostrando aos governos a importância de incluir o bem-estar animal na discussão sobre a economia verde e sustentável. Países em desenvolvimento devem repensar os modelos que copiam dos países desenvolvidos: sistemas altamente intensivos e industriais que, além do impacto negativo às pessoas, são muito prejudiciais também aos animais e ao meio ambiente, destaca Ingrid.
FONTE: WSPA
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